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EMPREENDEDORES DE SUCESSO - ELÓI D’ÁVILA

ELÓI D’ÁVILA

 

Nasceu em Esteio, no Rio Grande do Sul, sendo o 14º de 15 filhos de uma família muito pobre. Quando sua mãe faleceu no parto do último filho, seu pai começou a dar as crianças a amigos e parentes.

Sua irmã, que tinha 14 anos e já era casada, o pegou e quis lhe criar em Porto Alegre. Ela fazia pastéis, e Elói, um menino gago, os vendia depois da escola aos 4 anos.

Tinha oito anos quando fugiu de casa pela primeira vez. O marido da sua irmã bebia muito, era agressivo e a situação ficou insuportável. Elói escapou num dia em que ele o deu dinheiro e mandou buscar pinga.

Ficou no centro da cidade, até que o juizado de menores o prendeu e Elói teve que voltar a vender pastéis. Mas, na primeira oportunidade, fugiu novamente.

Nas ruas, ele ouviu falar de São Paulo e resolveu pedir carona para viajar. Foi de cidade em cidade, mentindo que tinha uma tia na cidade seguinte. Assim, chegou à Praça da Sé e ficou lavando carros até ser preso outra vez pelo juizado e enviado de ônibus de volta a Porto Alegre. Chegando, entrou em uma concessionária e inventou que era de São Paulo. Os funcionários, então, fizeram uma vaquinha e o ajudaram a viajar de volta.

Na segunda vez em São Paulo, aos nove anos, foi para a rodoviária do Tietê. Engraxou sapatos, vendeu jornais, mas sentia medo de ser preso. Um dia, um senhor o viu e o levou para sua casa, onde trabalhou areando panelas e cuidando dos netos dele. Enquanto isso, arrumou também serviço numa casa de malas.

Ficou assim até os 12 anos, quando decidiu ir embora para o Rio de Janeiro com dois amigos adolescentes com a ideia de casar com algumas garotas ricas e “resolverem a vida”. Como não possuía identidade, fez seus documentos num cartório no viaduto do Chá para poder viajar, agora, de forma legal.

Perto do hotel Copacabana Palace, foi lavar e guardar carros e acabou fazendo amizade com um guia turístico que o deixava cuidar das vans. Ele o ofereceu um emprego fixo como office boy na Stella Barros, na época a maior agência de turismo do Brasil.

Quando soube que não tinha onde dormir, “vovó Stella” o deixou usar o sofá da empresa. Elói tinha que levantar antes que todos chegassem e só podia se deitar quando o último funcionário saísse.

Durante sua fase no Rio, com frequência visitava sua irmã no Sul. Passava em São Paulo, corria na rua José Paulino para comprar malhas e subia em outro ônibus para Porto Alegre, onde ganhava um dinheiro vendendo as roupas.

No Rio, Elói ficou até os 17 anos, quando sua irmã se mudou para São Paulo com 6 filhos. Para ajudá-la, conseguiu um emprego no Bradesco e ficaram num cortiço na Barra Funda.

Aos 20 anos, Elói se casou e alugou um apartamento no famoso Copan. Para manter sua mulher, ele trabalhava no Bradesco, na LAP (Linhas Aéreas Paraguaias) e na rodoviária, como fiscal de plataforma, até a meia-noite.

Certo dia, roubaram seu fusquinha, perdeu o emprego e seu sogro quis buscar sua mulher porque estavam passando por muitas dificuldades. Mudaram para a casa do sogro e Elói começou tudo de novo, com três empregos simultâneos.

Quando seu filho nasceu, Elói já tinha alugado outro apartamento e estava muito bem, como diretor de vendas na LAP, para onde tinha voltado. Infelizmente, a empresa teve nova crise, foi mandado embora mais uma vez e ficou desesperado.

Encontrou um hoteleiro, da Panamericana de hotéis, que o chamou para ser representante deles no Brasil. Ele deu a Elói a oportunidade de abrir um escritório próprio.

Assim, em uma mesa emprestada dentro de um hotel, em 1974 nasceu a Edo Representações e, a partir de 1979, passou a se chamar Flytour Viagens e Turismo, atuando na consolidação e representação de companhias aéreas e atendendo às agências de viagens de todo o País.

Em 1992, visando multiplicar o sucesso da Flytour, Elói inicia o modelo de franquias da empresa e, aos poucos, o grupo foi se expandindo. Hoje, possui cinco divisões de negócios distintas, ocupando uma posição de destaque no mercado de turismo como a maior rede de agências de viagens do Brasil; tornou-se a quarta maior empresa do setor de turismo no Brasil em 2007 e a maior emissora de bilhetes aéreos da América Latina.

A Flytour chegou à marca de R$ 4 bilhões em faturamento em 2014, composta por mais de 220 escritórios, 2.700 colaboradores em todo o Brasil e fornecendo soluções para mais de 4 mil agências de viagens

40 anos após ter iniciado a Flytour, Elói D’Ávila mantém um sofá na entrada de todas as suas unidades para se lembrar dos tempos humildes que dormia na Estella Barros, onde conheceu o mercado de turismo, e vai todos os dias para o trabalho em seu fusquinha preto.

 

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Fonte: www.realizacaoempreendedora.com.br

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